segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Sair de si


Arte de: Klimt

Lorenzo Ganzo Galarça


Balanço os pés descalços, enquanto sentado à beira de minhas dúvidas. Tenho tantos questionamentos. Tantos formulários a responder. Parece que guardo o meu futuro sempre perto do presente.

Passeio demoradamente por minhas avenidas. Escolho as pedras mais bonitas. Reparo em cada folha caída. Intimido-me com o silêncio de minha solidão.

Tardo a escolher os atalhos. Finjo uma densa preocupação com o óbvio. Insisto em todas as minhas ironias. Divulgo nas portas as minhas falácias.

Não guardo temores sobre meus nomes. Fico apenas com os rumores ruminantes. Identidade é fazer parte de uma invenção.

A destruição abriga um carinho de mãe. Das aves mães que empurram os filhos para fora do ninho.

Também empurro-me para fora dos meus limites.

Sair de Sí, é entrar em Lá.