sexta-feira, 3 de julho de 2009

Mitos não devem ser idolatrados


[John Lennon, mitificado para sempre
por Wandy Warhol.
]

Lorenzo Ganzo Galarça


Bastou, o ilustre rei da música pop, bater pela última vez os sapatos para que seus discos renascessem da empoeirada estante de LP's da sala.

Michael Jackson se juntou ao seleto grupo de artistas mitificados. Empalhados. Logo estarão esculpindo sua estátua, em cera, no museu de arte moderna de Manhattan.

A morte traz a segurança. O mundo tem medo de apaixonar-se cegamente por pessoas atuantes. Todos sabem que um astro de rock é também um ser-humano. Todos reconhecem a capacidade do erro. Do fracasso. Da difamação.

Morto não trai expectativas.

Agradeço todos os dias, ao ler o jornal, por não me deparar com uma foto de Bob Dylan dançando nu em um iate no Caribe. Seria arrasador. Quase um pedido de separação da imaginação. Da fantasia. Do meu mundo de heróis.

É assim também nos relacionamentos. Temos medo da doação. Da entrega. Dos presentes. Os homens, em geral, esquecem de celebrar as suas companheiras pelo medo de perdê-las.

Com o fim de um relacionamento, o homem sente-se livre para elogiar a ex-namorada. Ou odiá-la, pois a recíproca também é verdadeira.

Não realizamos o ódio durante o relacionamento, pois reconhecemos que amanhã poderemos amar.

Devemos entender que os relacionamentos não são construídos de certezas. Nem de constâncias. Assim como a vida, o Amor abrange apenas o acaso.

Devemo-nos permitir a ferida. O sangramento. O excesso de pré-ocupação no Amor gera empecilhos para os carinhos. O casal deve permitir-se a desilusão.

Somente o que é concreto interessa.

Mitos não devem ser idolatrados.

Um comentário:

Cínthya Verri disse...

não sou muito fã de ídolo de nenhum tipo, mas AMEI a solidez da morte no teu texto.