sexta-feira, 12 de junho de 2009

Um Continente Dentro da Cama


Arte de: Egon Schiele

Lorenzo Ganzo Galarça


Todo homem deve reviver a infância ao menos uma vez dentro dos olhos de uma mulher, aceitar o convite dos ombros. Deitar-se nas solas dos pés.

As curvas de uma mulher são como um mundo novo. Cada gesto será uma nova paisagem, cada movimento trará consigo uma aurora exuberante. Cada sombra é um sol.

O homem deve aninhar-se no corpo de uma mulher. Acariciá-lo como se estivesse lapidando a simetria dos lençóis na cama. Fazer carinho significa arrumar a casa para a mudança.

Arrasto-me pela vastidão dos braços. Desidrato no cheiro dos pêlos. Poderia viver para sempre entre o vale dos seios. Construir minha casa e criar meus filhos.

O corpo delas já nos serviu de abrigo. O conforto não é por acaso. Antes, vivia-se em uma mulher como filho; agora, como amante. O Amor apenas mudou de direção.

Explorem suas amantes! Descubram seus segredos. Construam cabanas em seus ouvidos e estendam toalhas de mesa em suas barrigas.

O corpo de uma mulher é um convite para a nostalgia do parto. Para o silêncio do útero. Para a fervura do sangue.

Na próxima noite, feche bem os olhos, agarre com força as pontas do travesseiro e prepare-se para mudar de endereço.

O corpo de uma mulher é um homem quando criança.

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