sábado, 20 de junho de 2009

Toda a eternidade do momento presente


Arte de: Pollock

Lorenzo Ganzo Galarça

No enfrentamento, não existe espaço para a incapacidade.

Na guerra, não existe meio termo. Em uma batalha, não se pede ao adversário um tempinho para retocar o rímel, lixar as unhas ou aparar as pontas.

É matar ou morrer. Duas alternativas, uma escolha. A incerteza não convive com a paciência. É bom ter, pelo menos, reflexos de bom gosto.

O caráter forma-se em situações de risco. Amadureci por obrigação. Cortei a primeira barba com o fio da faca.

A eternidade encontra-se nos detalhes. O momento presente que já está escorrendo pelas mãos e fundindo-se às placas da história.

Nenhum diálogo deve ser subestimado. Toda palavra, todo gesto, todo olhar carrega um conteúdo infinito.

Uma formiga com transtorno de personalidade.

A seiva da árvore é extraída do concreto na calçada.

Tudo o que se apresenta, na verdade, carrega um mundo novo atrás dos olhos.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Um Continente Dentro da Cama


Arte de: Egon Schiele

Lorenzo Ganzo Galarça


Todo homem deve reviver a infância ao menos uma vez dentro dos olhos de uma mulher, aceitar o convite dos ombros. Deitar-se nas solas dos pés.

As curvas de uma mulher são como um mundo novo. Cada gesto será uma nova paisagem, cada movimento trará consigo uma aurora exuberante. Cada sombra é um sol.

O homem deve aninhar-se no corpo de uma mulher. Acariciá-lo como se estivesse lapidando a simetria dos lençóis na cama. Fazer carinho significa arrumar a casa para a mudança.

Arrasto-me pela vastidão dos braços. Desidrato no cheiro dos pêlos. Poderia viver para sempre entre o vale dos seios. Construir minha casa e criar meus filhos.

O corpo delas já nos serviu de abrigo. O conforto não é por acaso. Antes, vivia-se em uma mulher como filho; agora, como amante. O Amor apenas mudou de direção.

Explorem suas amantes! Descubram seus segredos. Construam cabanas em seus ouvidos e estendam toalhas de mesa em suas barrigas.

O corpo de uma mulher é um convite para a nostalgia do parto. Para o silêncio do útero. Para a fervura do sangue.

Na próxima noite, feche bem os olhos, agarre com força as pontas do travesseiro e prepare-se para mudar de endereço.

O corpo de uma mulher é um homem quando criança.