domingo, 8 de fevereiro de 2009

Bolsa de Mulher.


Arte de: Andy Warhol

Lorenzo Ganzo Galarça


Separados na maternidade, as bolsas das mulheres seguiram um rumo diferente dos armários e gavetas. Criaram alças, braços para serem carregadas por suas vidas.

Um pequeno caos portátil. Buraco negro em plena face terrestre.

Não interessam os estudos, adivinhações, ou mágicas. Um homem nunca será capaz de decifrar o enigma de uma bolsa feminina. Decorará o seu formato, guardará seu cheiro, durante dias nas narinas, mas nunca saberá o que ela carrega. Homens, em geral, não são bons decoradores. Não possuem olhos para interiores.

Bolsa de mulher tem cadeado que só se abre com as unhas.

As mulheres reconhecem a força do vento. As pálpebras sabem o peso do olhar. O corpo responde suave à gravidade. A aceitação é leve. O formato dos pés acompanham a areia úmida.

Mulher é um bater de asas.

Homens não tem competência, e nem paciência para carregar bolsas. Até mesmo as maletas de couro marrom, que faziam par aos chapéus, estão saindo de circulação. O charme se perdeu em alguma esquina do desenvolvimento. Os homens resumem-se a finas carteiras sem espaço para uma lembrança.

A praticidade roubou o lugar dos papéis de bala, das declarações de Amor em guardanapos e dos pequenos presentes que o cotidiano nos reserva.

Uma flor vadia, encontrada em uma esquina, não poderá dormir junto ao casal, zelar o matrimonio à distancia da cômoda, ao lado da cama. Terá de ficar esperando um alguém que não a enfie no bolso e estrague suas pétalas.

Uma flor sem vida, floresce nos cabelos de uma mulher. Nutre-se da sua beleza.

As mulheres não carregam bolsas para prevenirem-se do acaso.
Mas sim para abraçarem os imprevistos.

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