quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Sobre o Amor


Arte de: Gustav Klimt
Lorenzo Ganzo Galarça

Que me desculpem os gregos, mas Eros foi um farsante.

O Amor não pode ser possuído. Não se ama alguém, se está amando, ou não. A conexão amorosa não é algo duradouro. O Amor esconde-se em cada sílaba, em cada suspiro e em cada gesto, esperando o momento exato para se mostrar. É quase que um ataque à alma.

Ele vem sem dar avisos. Simplesmente surge, como um soluço. Mesmo assim, não chega a ser invasivo, ele é a própria licença.

Ele não rouba a coberta para o seu lado da cama, o Amor aquece os pés no calor do quarto.


O seu tempo de vida é instantâneo. Pode-se ter vários amores durante uma conversa, ou pode-se não ter nenhum. Ele é puramente existencial.

Não se escolhe estar amando. Não é uma reação química ou cerebral. É um milagre, vindo da mais poderosa prece do corpo.

O Amor não é apressado. Desconhece a pressão. Ele não está comprimido e nem comprometido.

O tempo não existe para ele. Fará com que os beijos nunca terminem e que os dedos nunca se cansem.

A aquarela se mistura nas lágrimas. Seremos tão os outros que nos esqueceremos de que estamos sós.

O Amor é a compainha que vai embora, deixa o café passado no balcão da cozinha e leva as chaves de casa.

Me espere até amanhã...

4 comentários:

Tiger IV disse...

Meu querido filho amado:
"O tempo não existe para ele. Fará com que os beijos nunca terminem e que os dedos nunca se cansem"
Tanta verdade... espero que tenhas esse amor na tua vida... tenho buscado há muito tempo... Só encontrei com vocês... mas gostaria de ter em mais alguém para completar a ação ...
Beijo com amor.. Pai!

christiane ganzo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lucho disse...

O Amor é a estrada, a linha de chegada pouco interessa.

Juliete disse...

Lindo d+ o texto. Tbm acredito que o amor, quando encontrado realmente, possa ser "tudo" e "todos", modifica por completo uma pessoa.