domingo, 4 de janeiro de 2009

Ninfomaníacos



Arte de: Salvador Dali

Lorenzo Ganzo Galarça



Eu, não só, acredito que existam pessoas viciadas em sexo, como acho que quem não for não deve praticá-lo.


Quem é viciado em sexo não pede companhia, pede compreensão. O sexo será como uma necessidade da alma, não como uma mera atividade do corpo.


É o pedido de solidão. Transar é ceder espaços.


A relação sexual deve ser a champagne que comemora a vida, não o Prozac que nos tira da dor.


O sexo, que não for necessário será um desperdício. Mais um tempo não-vivido.


Será como uma recompensa por mais um dia meia-boca, não como mérito da competência de continuarmos vivos.


O sexo será uma cobrança por ainda não termos morrido.


A culpa ocupará a cama inteira. Os lençóis ficarão pesados sobre nossos corpos, nús. A intimidade tirará férias.


Nosso encontro (em minúscula) terminará no chuveiro.


Distante de aquecer-se debaixo da pele, o gozo se perderá no meio do caminho.


Não existirá sinapse de corpos.


Não bastará que prepares a mesa, se não tens força para sentar na cadeira.


Minha fome é ter você ao meu lado.

Um comentário:

Simone K. disse...

Perfeito!