sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Sobre a Paixão


Arte de Egon Schiele
Lorenzo Ganzo Galarça

A paixão vem a nossa moradia e não bate à porta; derruba! Como se fosse do MST. Quando isso acontece o que resta é se entregar. Revelar a chave de baixo do capacho e acabar com todas as cópias. Ela já não é mais inquilina e é difícil a aceitação.
A paixão é antiga moradora que vem ver se está tudo bem e acaba ficando.

Nós que somos tão bem adestrados, acabamos guiados pela cegueira. A paixão não olha o apaixonado. Ela se apropria do acaso, assina cada carta de amor e adota os abraços órfãos. Ela é o maldito frio na barriga que gostamos de sentir e que ao mesmo tempo aquecemos com as mãos.
Ela é uma mulher de vestido preto e laço vermelho na cintura, que consegue tudo o que quer.

A paixão emburreçe.
O clichê é preciso em sua simplicidade. Diferente do Amor, a paixão não se disfarça. Ela inclusive, é a musica que distrai o sono e também as estrelas que não deixam a escuridão da solidão consumir nossos corpos.

A paixão é o buraco negro dos sentidos;
O Amor é o caminho de volta para a casa.

Um comentário:

Cínthya Verri disse...

e que me põe viva
lendo
doendo
e suspirando.