sábado, 29 de novembro de 2008

Hoje em dia, o sexo começa fora da cama.


Arte De: Henri Toulouse-Lautrec
Lorenzo Ganzo Galarça

Estava caminhando por uma de nossas ruas gaúchas, quando me deparei com um fenômeno único do reino animália. Um suposto casal namorando com tal voracidade que já não sabia quem era o macho e quem era a fêmea naquele louco entrevero.

Eles trocavam as "caricias" em plena Rua Da Praia, numa tarde de quinta-feira. Eu olhava para os lados para ver quais eram as reações das pessoas. Todos passavam reto. Imaginei que estivesse num daqueles programas ao vivo com pegadinhas.

Fiquei arrasado o resto do dia. Lembrava e relembrava aquele fato como se estivesse assistindo ao replay de um impedimento duvidoso. Nada e nada. A idéia simplesmente não se assentava na minha cabeça.

Por mais triste que seja, hoje em dia, nem mesmo o que eu não sabia que podia acontecer dentro de quatro paredes é ausente de privacidade. As pessoas de hoje conhecem pouco a solidão.

O sexo, por mais carnal que seja, é solitário. É o encontro de duas intimidades que se inclinam, é uma companhia para o ato de estar só. O sexo mostra nossos desejos possessivos e controladores ao mesmo tempo em que flagra nossa entrega e rendição.

Estar em contato com a solidão significa ser si – próprio. A nudez não possui máscaras. É impossível disfarçar-se. O Encontro não aceita encenações.

Na cama, não se procura o prazer do alheio. A natureza não pede o regozijo mútuo. O orgasmo é egoísta. Não é possível dividi-lo. O sexo é uma guerra entre amantes.

É vital que reaprendamos a como ficarmos sozinhos. Saberemos como honrar o convívio. Cada encontro será mágico, cada palavra fará mais sentido e cada cor terá mais brilho!

O sexo é a continuação dos nossos corpos.
In (finitos).