terça-feira, 28 de outubro de 2008

Quando não há tempo para desfrutar das horas



Às vezes, perdemos tanto tempo. Reservamos mesa, alugamos um bom terno, escolhemos perfumes, compramos flores e pedimos para que a moça borrife-lhes água, aspiramos o chão do carro, tiramos as bolinhas de algodão da nossa melhor camisa, damos a preferencial aos outros carros, abrimos a porta do carona, fingimos conversas interessantes, mentimos sobre alguns vícios e até bebemos do vinho que não gostamos. Tudo isso para agradarmos a moça em questão, quando realmente só queríamos guiá-la até cama mais próxima. Porque será que não vamos logo ao que interessa? Por que não declaramos, de uma vez, tudo o que sentimos.

Por que não facilitar as coisas?


Na verdade, gostamos dessas preparações. O homem gosta de fugir da rotina de dinossauro. Faz com que ele se sinta mais moderno, mais autônomo. Entretanto, o homem diz para si mesmo que não gosta dessas coisas, é justamente disso que finge se queixar no bar com os amigos, na noite seguinte. Reclamar dá popularidade.


O homem é realmente o sexo frágil. O homem cede; a mulher, não levanta o pézinho 35 do lugar. O homem toma banhos de 5 minutos; a mulher, leva horas cuidando da aparência. O homem está sempre competindo com os outros; a mulher ajuda as amigas a pintarem as unhas. O homem perde-se sempre; a mulher, pede informação.


O homem é um ser que ainda está muito enraizado na tradição. Ele acha que deve honrar a impecável linhagem da espécie. Mostrar que descende dos criadores do fogo, da matemática, e das guerras.

As mulheres só podem honrar o agora, por não terem tido uma passado glorioso. As mulheres não têm leis a serem quebradas. Elas são o novo. Constroem a sua história e não se baseiam em nada.


Acredito que pelo homem ser tão tradicionalista ele não saiba, ao certo, como lidar com o que nasce em si. Ele tem dificuldade em aceitar seus desejos e pensamentos. Como uma pessoa que pula de um prédio, o homem, sempre dá um passinho pra traz, quase que um susto, quando depara-se frente a frente com o seu desejo, no caso, a morte.


O homem deve aprender com as mulheres a como aproveitar melhor as horas, a como honrar a rotina.

O homem deve aprender a como celebrar o tempo que leva para uma unha secar.



Lorenzo Ganzo Galarça

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