terça-feira, 2 de setembro de 2008

A vida vista de baixo

Cresci ao lado de minhas primas, junto de minha mãe, minha tia e avó.
Nas reuniões de família ficava com as mulheres.
Não assistia à grenais e muito menos escutava estórias sobre iatismo.
Comecei a falar palavrões tardiamente.
Achava feio, sem graça.
Lembro que sempre gostei das pessoas.
Do jeito como se comportavam, do jeito como diziam palavrões e do jeito como davam abraços. Era uma delícia de assistir.
Não era atacante; era goleiro.Observando o jogo dali de trás.
Sempre olhando, as vezes mais as joaninhas do que a própria bola.
Sério...
-O Lorenzo tá bem hoje?
-Sim, só está um pouco quietinho.
Cansava-me na minha própria loucura de pensamentos. Com direito a crises existências, tais como: De onde vim? Porque estou aqui? Quem sou Eu?
Entretia-me com meus brinquedos e com meus diálogos.
Com a minha rotina inventada.
Não precisava tornar aquilo público.

Lembro-me da não explicação dos meus atos.
Do sentido que a vida tinha.
Justamente por não ter nenhum.

Hoje, fui a uma reunião de família.
Nem com os homens.
Nem com as mulheres.
Hoje, fiquei com as crianças.


Lorenzo G.G.

Um comentário:

e.guedes disse...

oi, lorenzo

eu também fico mais com as crianças. que bacana!
beijo e saudade
eli